sábado, maio 08, 2010, posted by # 7 at 16:41
As acções do passado perseguem-nos, atormentam-nos por vezes. Mas, se nos causam transtorno, é porque deixámos de ser a pessoa que éramos no passado. Caso contrário, caso nos mantenhamos no rumo animalesco da vida, nada sentiremos. Remorso, vergonha, arrependimento, serão só palavras.

Mas uma coisa se revela tristemete verídica: muitos de nós preferem esquecer deliberadamente (ou dizer que está esquecido) o passado, do que admitir que estavam errados. Parece ser preferível fazer o papel de esquecido, de ignorante, do que admitir que se errou e que se marcou negativamente a vida de outrém.

As atitudes do passado, tanto erros como boas acções, devem ser encaradas de peito aberto, assumindo responsabilidade e protagonismo pelas mesmas. Esconder-se por trás de uma fraca memória, em nada benificiará a nossa vivência actual.

É por isso que me sinto o coração a sangrar. É por isso que tenho o peito apertado. Por tanto ter sofrido e por nada ser agora admitido.

Custa-me constatar que o passado, que tantas vezes é tido como referência para o futuro, seja agora ignorado, deliberadamente esquecido. Custa-me aperceber-me de que tudo o que aconteceu é agora negado.

A vergonha pode ser embaraçosa. Sim, é verdade. Mas a cobardia é deveras mais repugnante.
 
Emanuel Simoes

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