terça-feira, abril 07, 2009, posted by # 7 at 22:12

Suavemente e subtilmente me aproximo. Tudo em mim parece perfeito neste mundo de constante imperfeição. Os meus ideais, o meu aspecto, a minha maneira de ver a vida. Cedo te envolvo na minha teia obscura e levo-te a acreditar que estás cá por tua livre e espontânea vontade. Errado. Estás cá porque eu tracei antecipadamente o trajecto que tu havias de percorrer. Cada pedra no caminho, cada desvio sinuoso, tudo foi engendrado por mim de modo a te encontrares nos meus braços neste momento. Pensas que estás perante mim por tua exclusiva e inquestionável escolha, mas enganas-te. Estás cá porque eu quero que cá estejas. Eu comando as tuas decisões, mesmo as mais íntimas. Deixo-te pensar que gozas de alguma arbitrariedade mas a verdade pura dura e crua é que te encontras completamente submissa perante mim.

Abordas-me e finjo estar surpreendido. Falas-me da primeira vez que nos conhecemos e da velocidade fulminante com que te deixaste apaixonar por mim. Frisas que é estranho que tal suceda mas que há algo que te faz sentir cada vez mais presa a mim e eu, eu simplesmente faço o meu papel e deixo-te sonhar. Permito que os teus sonhos divaguem e fllutuem nesse teu mundo cheio de sofrimento e de necessidade de te agarrares a alguém que te dê força para te sentires mais uma vez viva.

Dou-te força para acreditares que tudo correrá bem, incentivo-te a acreditar que o mundo é um local pelo qual vale a pena lutar, mas sei bem que tudo não passa de mais um esquema para te sugar a vitalidade, de modo a que eu me sinta bem com tudo o que se passa em meu redor.
Tornas-te dócil e submissa e voltas a pensar que o fazes por livre e espontânea vontade. Mas eu sei o que faço. Eu sei como te levar onde quero.
Quando adquiro a tua total confiança, envolvo-te nos meus braços num abraço reconfortante que esconde a sua verdadeira finalidade.

Relaxas, suspiras, olhas-me nos olhos e voltas a abraçar-me. Aí solto as roldanas do meu maquiavélico plano e deixo de pensar em ti para me dedicar exclusivamente a mim. Cravo as minhas presas no teu pescoço. A tua jugular é grossa e apetitosa. Sorvo o teu sangue gulosamente como se não houvesse amanhã, como se fosse esta a minha última refeição. Afinal, depois de todo o esforço que tive para que confiasses em mim, o mínimo que poderia fazer era sugar-te com prazer.

Chega a hora do fim. Vida ou morte, luz ou trevas. Fito-te nos olhos, moribundos mas ainda com expressão e vida. Algo no teu olhar decadente me cativa. Desta vez és tu que me hipnotizas e levas-me a crer que somos um só.
Dou-te vida novamente. Bebo do teu sangue para que bebas do meu. Tiro-te uma vida e dou-te uma nova.

Somos um a partir de agora, para todo o sempre, para tudo o que vier.
 
1 Comments:


At 10 de abril de 2009 às 17:45, Blogger Larinha

Eu não disse que darias um ótimo vampiro?Gosto da maneira como brinca com as palavras, como convidas quem lê a fazer parte daquilo.O verdadeiro escritor tem esse dom.Mais do que conquistar a atenção de quem lê, cria uma paixão,algo que nos impulsiona a querer mais e mais.Quanto a isso,duas palavras:
Quero mais!
7*

 


Emanuel Simoes

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